Grupo EnDança

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Márcia Luzalva em Movimento do Desejo, cia Márcia Duarte. Direção e Coreografia: Márcia Duarte. Foto: Milla Petrillo

Tabela de conteúdo

Introdução

Criado em 1980, por Luís Mendonça e Márcia Duarte, o Grupo EnDança é um dos mais conhecidos e respeitados grupos de dança contemporânea do Brasil. Depois de um período crítico para o país esta nova geração da dança dedica-se às experimentações, à pesquisa de maneiras de expressar-se. Calcado na proposta de pesquisa do movimento, o EnDança traça seu caminho, extrapolando o território do Centro-Oeste e fazendo seu nome no Brasil.


Muito da base do grupo tem a ver com as influências de seu criador, Luís Mendonça, e da convivência e trabalho que ele desenvolveu por quatro anos com o bailarino tcheco Zdnek Hample. Investigações focam dança com ênfase nas possibilidades físicas do corpo em espaços não-convencionais. Começa-se a explorar então a exausatão, as sensações e através de laboratórios que focavam as experiências sensoriais, surgem vivências, reflexões e discussões que sustentam o trabalho do grupo.


As aulas, as experiências individuais dos bailarinos nos laboratórios, somavam-se para a criação da cena. Assim, Luís Mendonça, que assume a pesquisa focada na engenhosidade do movimento, somando os gestos cotidianos às experiências sensoriais, une-se à Márcia Duarte que por sua vez, trazia o feminino para a cena e seu interesse pela construção dramática.Juntos, constrõem os pilares que mantiveram o grupo por 15 anos.


Entre os integrantes destacam-se: Claúdia Gama, Eveline Moura, Giselle Rodrigues (BaSiraH), Selma Alves, Viviane Rodrigues e Sérgio Pessanha (iluminador).

Espetáculos

Aquelas Coisas (1980)

Dá Licença (1982)

Pau pra Toda Obra (1983)

EnDança (1983)

Situações (1985)

Imagem Virtual (1986)

Estranhos Hábitos (1987)

Animater (1994)

A Necessidade de se Estar Onde se Está (1994)

Factual e Poéticas de Tanto Amor (1995)


O Fim e os Frutos

O Grupo EnDança encerrou suas atividades em 1996, com um uma trajetória cheia de grandes realizações. Recebeu premiações, patrocínios, apoio institucional, reconhecimento, participou de festivais renomados internacionalmente. O EnDança, encerrou seu ciclo e desta convivência entre grandes artistas que compartilharam neste espaço a estrutura de uma companhia profissional. Cada um seguiu seu destino.


Dos frutos nutridos pelo grupo destaca-se Giselle Rodrigues que, partindo das experiências vividas alí, seguiu seu caminho com outro olhar, mantendo o carinho para com suas origens. Luís Mendonça deu espaço à novos coreográfos e Giselle Rodrigues aproveitou-o para mostrar seu trabalho com toda a singularidade que lhe pertence e que hoje, pode ser vista ao acompanhar uma criação sua na Direção do Basirah - Núcleo de Dança Contemporânea.


Outro fruto importante das atividades do EnDança foi o Projeto Lapizlasulli onde, Márcia Duarte e Luís Mendonça aproveitaram a docência no Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília para desenvolver um trabalho de pesquisa e formação junto à jovens, com o apoio do CNPq já que este projeto tratava-se de Iniciação à Pesquisa. Sob a orientação de Luís Mendonça e coordenação e regência de Andréa Jabor e Viviane Rodrigues o projeto possibilitou aos jovens a composição de trabalhos performáticos num caráter experimental.


Após o fim do EnDança, Márcia Duarte resolveu dedicar-se ainda mais à sua pesqusa pessoal. Em 1995 cria a Cia Márcia Duarte que funciona de acordo com os interesses de pesquisa da coreógrafa, sem nenhum elenco fixo. Dentre as obras realizadas destacam-se: Reta do Fim do Fim (1995), Movimento dos Desejos (1996), Jogos de Sedução (1997), Sebastião (2000 - coreografia composta para o Basirah - Núcleo de Dança Contemporânea, em co–autoria com Haward Sonenklar e Giselle Rodrigues), Olhos de Touros (2002), De touros e homens (2003 - desenvolvido no Ateliê dos Coreográfos, na Bahia, organizado por Eliana Pedroso), Jogos Temporários (2006), Húmus (2006, renomeado posteriormente como Húmus Kaos), Sorte ou Azar Levante a Mão Quem Quer Brincar (2010). Em parceria com o Projeto Mover da Universidade de Brasília, vem desenvolvendo seu novo trabalho: Mobamba (2011) pesquisando movimentos a partir de jogos expressivos criados com bases no samba.


Márcia Lusalva em Olhos de Touro (2002) Direção e Coreografia: Márcia Duarte Foto Mila Petrillo


Independente do rumo tomado por cada integrante do Grupo EnDança, fato é que sua relevância para contexto da dança contemporânea no Brasil e as contribuições trazidas por sua proposta influênciaram muitos outros grupos do país, fazendo do Grupo EnDança uma referência para a àrea artística que vai bem além do contexto local de Brasília.


REFERÊNCIAS

De CUNTO, Yara e MARTINELLI, Susi. A História que se Dança: 45 anos do movimento da Dança em Brasília. Concepção e Organização: Yara De Cunto, Texto: Susi Martinelli. 2005.

Cia Márcia Duarte

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